quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aquecimento Global: aventureiro consciente

Global Warming: conscious adventurer.(Translate this article).
  • "No mês de agosto de 2009 o desmatamento na Amazônia cresceu 167% em relação ao mesmo período do ano passado"; 
  • "Grandes empresas emitiram 85,2 milhões de toneladas de gases de efeito estufa."
  • "Mudança climática é vida ou morte para Estados insulares";
  • "Os glaciares do Himalaia podem desaparecer em 50 anos por causa das mudanças no clima, e isso teria implicações para mais de 1 bilhão de pessoas que moram na região";
  • "A Terra esquentou 0,74 graus centígrados no século passado, e a temperatura sobe atualmente a uma média de 0,16 graus";
  • "Mudança climática é apenas uma causa da erosão costeira";
  • "Até 2030 todo o gelo do Ártico pode desaparecer".

 Foto: Reuters

Estas são frases cada vez mais comuns no nosso dia a dia, o que nos faz pensar: se queremos continuar interagindo com a natureza, realizando nossas aventuras e expedições, e nos maravilhando com grandes feitos do homem nos 4 cantos do mundo, temos que começar a agir imediatamente para preservá-lo, antes que seja mais tarde do que já é. Estamos literalmente atrasados. O planeta dá sinais de sua doença. Fomos nós que o deixamos assim, e somente nós poderemos recuperá-lo.

Para os aventureiros, uma das primeiras preocupações que vêm em mente é a preservação física dos locais onde circulam. Vale a regra "live no trace" (não deixe rastro), muito bem defendida pela organização de mesmo nome, ou como pode ser visto neste manual do site Clube dos Aventureiros.

Entretanto, o assunto não deve se limitar por aí. Com o intuito de contribuir com a ação Blog Action Day, onde neste 15 de outubro de 2009 mais de 7000 blogs no mundo todo abordarão o tema "Aquecimento Global", apontamos neste post, através da contribuição de Gisele Battistelli, educadora física e esportista, um dos inúmeros aspectos em que podemos fazer diferença em relação a esta problemática. Não é sua única opção, muito pode ser feito, desde que você faça sua parte.

Alimentação e o Impacto no Aquecimento Global
Texto de Gisele Battistelli.

Todos falam sobre o aquecimento global e procuram compreender por que ele está ocorrendo. Quando questionados sobre quem são os maiores culpados pelo aquecimento global a resposta é quase que unânime: poluição gerada pelas fábricas, veículos, aviões, desperdício de energia, de água e assim por diante. Lista infindável na qual nos deparamos com os males produzidos pelo homem da sociedade moderna. Reciclagem, economia de energia e uso de transportes alternativos podem ser considerados agentes de regressão desse quadro, porém há uma verdade mais que inconveniente nisso tudo, nem sempre alertada.



Enquanto os meios de transporte, por exemplo, são responsáveis por 13% de todas as emissões globais de gases do efeito estufa, a pecuária é responsável por 18% e ainda é campeã absoluta em desperdício, pois compromete o solo, gasta quantidades exorbitantes de água e energia e gera bilhões de toneladas de dejetos poluentes. Isso surpreende você? Isso mesmo: a pecuária polui mais do que os carros!

Em 2006 o aquecimento global foi associado pela primeira vez à pecuária. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) ressalta que 18% é bastante sim, e salienta que neste cálculo foram levados em conta todas os fatores relacionados com a pecuária, como alterações do uso da terra, matéria prima das rações e processamento de carne, em níveis mundiais.



Essa problemática de efeito cascata pode ser explicada da seguinte maneira: para alimentar o gado, os porcos e galinhas, precisamos de ração, então derrubamos as árvores, destruindo as florestas, para abrir campo para pasto e produção de matéria-prima destas rações. Porém, as florestas, como sabemos, são muito importantes para absorver da atmosfera o dióxido de carbono. Sendo assim, este processo influencia indiretamente as mudanças climáticas acelerando o desastre que já está acontecendo, de forma não tão óbvia, mas com grande impacto global.

E então, será que a culpa não é do homem? A culpa é das vacas? Isso não é culpa das pobres vacas, afinal alguém quer comer a carne. O consumidor é culpado. Os dados ainda indicam que 40 a 50% de todo cereal produzido são consumidos não por humanos, mas pelos animais de abate, e que 75% da produção de soja se destina pra esse fim. São necessários 7 kg de grãos para produzir apenas 1 kg de carne. Podemos calcular então que estamos falando de centenas de milhares de hectares de grãos plantados em terras desmatadas que também, pela devastação, apresentam, além de tudo, sérios impactos em sua biodiversidade.

Isso tudo soma-se ainda ao sofrimento de animais mantidos em confinamento, espremidos em gaiolas, submetidos a tratamentos antibióticos e anabolizantes, vivendo em situações de barbárie em nome da produção em massa de grandes corporações industriais. Na Holanda, por exemplo, 500 milhões de animais são abatidos anualmente.

Parece que o problema não tem fim nem solução: como fazer se o mundo está cada vez mais populoso e cada vez mais consumidor de carne? Na China, por exemplo, o consumo de carne é duplicado a cada dez anos. E se o consumo de carne interfere pesadamente no aquecimento global, onde estão as campanhas de conscientização sobre a relação entre o consumo de carne e a destruição do planeta? Existe sim uma solução: reduza seu consumo de carne em 50%. Ou melhor, considere tornar-se vegetariano. A verdade é nua e crua, se você come carne, tem o hábito que mais destrói o meio ambiente. Como consumidores podemos fazer diferença modificando nossas dietas e divulgando para o maior número de pessoas que a alimentação e a agricultura também contribuem, e muito, para mudanças climáticas, e possuem grande impacto ambiental.



Está na hora de mudar, de agir, de defender o planeta. Encare o desafio!

* Atualização deste post (15/10/09 10:04)

Assista aos vídeos no YouTube do documentário "Meat the Truth" para entender mais a fundo a questão do impacto da pecuária no Aquecimento Global:
Leia também: Pólo Norte será navegável em 10 anos.

1 comentários:

Guido disse...

Pois então, venho aqui colocar mais ingredientes neste caldeirão borbulhante da preocupação ambiental.
Culpados pelo aquecimento global? Emissão de poluentes, consumo de carne, desperdício de energia. Todos amarrados por uma linha invísivel e indivísivel. Mas o grande problema é encararmos de frente mudanças nos nossos hábitos.
Quando falamos de Educação Ambiental para uma criança, o resultado é quase imediato; quando falamos à um adulto encontramos duas barreiras: um modo de vida consolidado por anos de (mal)uso dos recursos naturais e a dificuldade de admitir em frente ao espelho que erramos por muito tempo.
Devemos ser radicais em nossas decisões de mudança? A experiência me diz que não. Devemos ter urgência nesta mudança de postura? Certamente.
Os meios para recuperar nossa casa são conhecidos. Temos que passar da reflexão para a ação. O tempo de pensar já passou. Os gritos de socorro emitidos pelo planeta pedem rapidez nas ações.
Como fazer isso? Adotando novas posturas em nosso dia-a-dia. Vamos usar a água de forma consciente. O simples fechar da torneira enquanto escovamos os dentes gera uma economia considerável em um ano. Vamos utilizar a energia elétrica de forma positiva. Em um país como o Brasil, onde grande parte da energia vem de hidroelétricas e isso significa áreas alagas, fauna e flora as vezes extintas (espécies endêmicas são as que mais sofrem com o impacto de uma modificação tão drástica do ambiente). Vamos investir e cobrar de nossos representantes o uso de energias limpas. Como no Brasil, a democracia ainda é um bebê engatinhando, achamos que o voto é pura e simplesmente um direito, quando na verdade deveria ser encarado como um dever. Coma menos carne. Isso significa menos áreas desmatadas para a indústria pecuária. Ande mais a pé. Ande mais de ônibus. Ande mais com seus vizinhos e amigos. Organize caronas. Não queime combustível para mover uma tonelada que carrega dentro de si menos de cem quilos (gracias Cláudio pela frase). (re)Aprenda a se relacionar com o planeta. Só damos valor e protegemos aquilo que nos é caro. E, se pudesse aqui dar um conselho-chave, desça do pedestal em que nossa espécie se colocou e entenda que para a Mãe Terra, não somos mais importantes que uma bactéria.

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