"Bycicle Dreams", filme do documentarista Stephen Auerbach, mostra um outro lado dos desafios dos esportes de endurance, através da visão de diversos ciclistas que enfrentaram solo a Race Across America (RAAM) em 2005. A RAAM é uma das provas mais duras de ciclismo no mundo, onde os atletas pedalam da costa leste a costa oeste dos EUA, em uma distância de 4800km, chegando a pedalar em torno de 500 km diários, dormindo apenas uma ou duas horas a cada dia.
O documentário lançado em 25 de abril de 2009 já conquistou diversos prêmios, como o de "Melhor Diretor" no Yosemite Film Festival e "Melhor Documentário" no Grand Rapids Film Festival, entre outros títulos em mais cinco festivais de filmes de esportes "outdoor". O filme de Auerbach tem se destacado não apenas por exibir imagens incríveis da prova, mas por retratar os motivos que levam a estes homens e mulheres a se submeterem a condições tão extenuantes, colocando seus corpos e mentes em situações extremas, beirando o limite do possível.
E uma atleta brasileira já provou deste desafio, com o melhor resultado possível. Em 28 edições já realizadas do RAAM, apenas 11 mulheres conseguiram completar a prova na categoria solo e jamais uma sul-americana havia completado até esta ano de 2009, feito realizado pela atleta brasileira Daniela Genovesi.
Daniela é professora de educação física formada pela Universidade Gama Filho, 3 vezes campeã brasileira de body board, campeã mundial e européia de jiu-jitsu e desde 2000 compete no mountain bike, ciclismo de estrada e esportes ao ar livre, incluindo corridas de aventura e canoagem. A brasileira foi vencedora da World Cup de Ciclismo de Ultra-distância em 2008, o que a credenciou como a primeira atleta sul-americana a participar no Race Across America 2009.
Dani completou os 4.800 km, de costa a costa dos Estados Unidos, em 11 dias, 17 horas e oito minutos, chegando a pedalar 20 horas por dia. Para vencer a RAAM, Dani adotou como estratégia as horas de descanso programado (ela dormia quatro horas diárias sempre), e manter um ritmo diário. Ela passou por alguns momentos difíceis, principalmente quando estava atrás da americana Janet Christiansen. O sofrimento inicial a fez pensar na possibilidade de não conseguir completar a prova. "Comecei a sentir muitas dores nos dois joelhos, que ficaram inchados. Na TS 50, dormi por duas horas, tomei anti-inflamatórios e as dores diminuíram, mas por um momento eu pensei que o corpo poderia dizer não, mas deu tudo certo", explicou a campeã à mídia após o evento.
"Esta prova é um sofrimento enorme, por isso fiz a opção de encarar como uma expedição, para me divertir. O repórter do site oficial não conseguia acreditar como eu estava sempre sorrindo, assim como a minha equipe. Isso fez grande diferença", disse Dani, que perdeu apenas quatro quilos na sua "expedição", o que já estava dentro do previsto. Sua alimentação era baseada em shakes e macarrão, com altas doses de carboidrato e proteína.
Talvez Dani tenha algumas respostas aos atletas que enfrentaram ou pretendem enfrentar a RAAM no futuro, pois durante a prova de 2009, foi extremamanete admirada por conseguir manter seu espírito confiante e bom humor ao longo dos duros 4800 km.
Assista ao trailer do documentário Bycicle Dreams.
E a matéria realizada pelo programa Esporte Espetacular com a Dani Genovesi.





















