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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Entrevista exclusiva com o montanhista André Dib

Exclusive interview with the mountaineer André Dib. (Translate this article).

"O gosto pela aventura corre em suas veias. Ele vai aonde poucos vão. E quando chega lá, tira suas fotos de um jeito único, que mistura ousadia e conhecimento técnico". É o que diz a apresentação do montanhista e fotógrafo André Dib em seu website, em texto de Gustavo Junqueira, jornalista e parceiro de aventuras de André mundo afora. E é o que se percebe ao acompanhar o trabalho fotográfico e expedições deste aventureiro, sempre atencioso e disposto a uma boa conversa sobre o mundo da aventura.


Monte Roraima - Copyright © André Dib. All rights reserved.

As fotografias de André Dib, também disponíveis em seus álbuns no Flickr, impressionam pela qualidade estética, cores e composições que surpreendem mesmo quando a natureza por si só seria suficiente para nos encantar. Não é por menos que já são vários os prêmios conquistados pelo fotógrafo, como o de Melhor Fotografia - Menção Honrosa - Avistar Brasil 2008 e recentemente a escolha como Fotografia do Mês de Setembro pelo site da revista National Geographics.

É dele também a capa da edição da Aventura e Ação deste mês de novembro (entre outras), revista para a qual André colabora com suas fotos e matérias das aventuras que encara regularmente. As aventuras de André também podem ser acompanhadas na sua coluna no site Extremos, que publicou uma ótima análise da foto de capa do mês feita na Serra da Canastra agora em outubro, e pelo site Trilhas e Aventuras.


Índios Pataxós - Copyright © André Dib. All rights reserved.

Na entrevista exclusiva ao Blog 40milkm André conta um pouco sobre como começou a sua paixão pelo montanhismo, que o levou a conquistas como as 11  montanhas mais altas do Brasil, Vulcão Cotopaxi no Equador, Cordilheira Real na Bolívia e uma incursão pelo Deserto do Atacama no Chile, que rendeu uma bela exposição de fotos e documentário em vídeo. Acompanhe a entrevista:

40milkm:
Como você iniciou no montanhismo?

André:
Comecei com as trilhas há pouco tempo. No ano 2000 ainda não sabia o que era me sentir integrado com algo maior, que é esse contato íntimo com a natureza e com as sensações que ela nos proporciona. As montanhas vieram a seguir. Conheci o parque nacional de Itatiaia em 2001 e a partir dali só aumentou  meu respeito e minha admiração por esse mundo visto do alto, essa busca pela imensidão vista de um cume.
 

Monte Roraima - Tepuis - Copyright © André Dib. All rights reserved.

40milkm:
Entre todas as montanhas que escalou, quais foram as mais recompensadoras?

André: 
Na realidade não sou escalador, sou um fotógrafo apaixonado pelas montanhas e pela liberdade que essa busca nos remete. Cada montanha tem sua peculiaridade, seu encanto, sua magia. A cratera do Vulcão Cotopaxi, por exemplo, me trouxe uma experiência muito forte, que eu trago viva ainda hoje na minha memória. O Huayna Potosí me marcou por ser a minha primeira montanha acima dos 6000. No Brasil eu já estive 3 vezes no Monte Roraima. Aquela atmosfera misteriosa é algo único, que me atrai. Sei que ainda volto lá outras vezes.

40milkm:
Entre os 11 picos mais altos do Brasil, qual foi o mais difícil e desafiador de todos?

André: 
Sem dúvida nenhuma, o Pico da Neblina foi a montanha mais difícil que subi no país. A umidade, o calor e a hostilidade da floresta fazem desse destino um dos menos freqüentados do mundo. Acho que as dificuldades encontrados na montanha nos fazem crescer e aprender a enfrentar nossos problemas diários com mais serenidade, e isso só aprendemos quando estamos diante de alguma circunstância crítica.


Canto das Almas - Igatú, Bahia - Copyright © André Dib. All rights reserved.

40milkm:
Você já passou por alguma situação em que teve que desistir da conquista de um pico, ou uma situação de emergência?

André: 
Em julho desse ano, quando tentávamos chegar ao topo do Parinacota com 6350 metros, com um guia contratado para cuidar da logística da empreitada, descobrimos que não teríamos água e nem alimento para a ascensão, e quando já estávamos a 6 mil metros famintos e desidratados resolvemos voltar. Na realidade foi um erro nosso, de contar com um outro que não estava  preocupado com as nossas provisões, e que nos passava uma previsão pessimista do restante do trajeto. Nos dois dias que ficamos na montanha passamos fome, literalmente, dividindo algumas calorias em 3. Essa foi minha experiência mais frustrante, pois sabíamos que poderíamos chegar ao cume, estávamos próximos e bem aclimatados, e tivemos que desistir.


Laguna Blanca - Atacama - Copyright © André Dib. All rights reserved.

40milkm:
Quais os seus planos para as próximas escaladas?

André: 
Quero conhecer o Aconcágua, e me programo para tentar subi-lo em janeiro próximo. Evidentemente vou buscar a rota normal, já que não sou escalador. Já estou negociando matérias e parcerias para essa jornada.

40milkm:
Alguma dica especial para os leitores do 40 mil km?

André: 
É difícil dar dicas sem cair nos clichês, mas acreditar naquilo que se faz, se manter no caminho com dedicação e perseverança faz com que as coisas conspirem a nosso favor. Como a subida de uma montanha, que é árdua, porém como o cume, recompensadora.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Entrevista exclusiva com Karol Meyer para o 40milkm

Exclusive Interview with Karol Meyer. (Translate this article).



Neste ano a mergulhadora brasileira Karoline Meyer quebrou vários recordes sulamericanos e mundiais no mergulho livre. Entre estes, o recorde mundial de apnéia estática, com o incrível tempo de 18min32s sem respirar, registrado no Guiness Book TM (conforme matéria anterior neste blog), e a terceira melhor marca no mundo na disciplina Lastro Variável, onde atingiu a marca de 93m em um mergulho em Bonaire (confira mais informações e um vídeo completo sobre o recorde em matéria no site Brasil Mergulho).

O blog 40milkm entrou em contato com a atleta e conseguiu esta entrevista exclusiva , onde Karol conta um pouco sobre a sua paixão e dedicação ao mergulho livre. Confira:

40milkm:
O que inspira você a enfrentar os desafios do mergulho livre e a superar limites, em condições que a princípio não são naturais ao ser humano?

Karol:
Lembro-me de um dia de treino que antecedia à tentativa do último recorde mundial, para o Guinness Book TM... Eu fiquei imaginando um mergulho, o tempo que eu teria para poder passear com os peixes, isto me absorveu grande parte do tempo... quando eu sai da água, a aula de natação havia parado, todo mundo começou a me aplaudir e a minha felicidade não era tão somente pela marca, mas o entusiasmo de, por alguns minutos, poder fazer parte de um mundo que eu adoro!

O amor pelo mar, a liberdade e leveza que a água proporciona, o contato com a natureza, a aventura...



Não mergulho somente para fazer recordes, comecei a mergulhar porque sempre desejei passear no fundo do mar, com os peixes, com a vida marinha. Os recordes são um detalhe, temporário. Quando eu não tiver mais interesse, não os farei.

Mas o mergulho, este eu jamais deixarei de praticar!

40milkm:
O que vem em sua mente quando está lá a 80, 100 metros de profundidade? Existe o medo neste momento?

Karol:
Não, nenhum medo, estou bem, estou em paz, concentrada no meu interior. À partir de uma certa profundidade, não há mais luz ... mas há uma enorme sensação de bem estar, estou feliz por estar lá, no fundo do mar!



40milkm:
E antes da descida?

Karol:
Antes da descida, nas últimas horas, o momento é de concentração também. Às vezes aparecem dúvidas, do tipo: "será que tudo vai dar certo". Mas são imediatamente combatidas pela ação, pelo planejamento, pela certeza de que tudo foi feito da melhor forma. O mergulho em profundidade exige uma equipe técnica de mergulhadores afinada para o trabalho, equipamentos corretos, embarcação e toda a segurança disponível e apta a intervir. 



Este é um trabalho feito com meses de antecedência!!! Com meetings, com treinamento da segurança, tudo isto eu coordeno. Neste ano tive a grande ajuda do recordista Patrick Musimu (que atuou como meu coach) em Bonaire, e pude descansar mais.



A equipe de mergulhadores técnicos da Padi, do Dive Center Buddy Dive Resort foi impecável. Isto te dá mais segurança e permite que você avance na profundidade. A segurança é essencial!



40milkm:
E como é conciliar a atividade com o trabalho, já que é difícil, principalmente no Brasil, conseguir viver somente do esporte? Você consegue não pensar no mergulho enquanto trabalha? :D

Karol:
Trabalho no banco 6 horas por dia, nas outras 18 horas sonho e mergulho em apnéia :-)))

É dificil, mas sou teimosa, desistir dos sonhos seria assinar meu atestado de óbito.

Além da prática competitiva do mergulho livre, eu criei cursos com um foco diferente e essencial, o de buscar bons momentos debaixo da água, sem "perseguir" uma profundidade ou tempo. É o verdadeiro "Mergulho LIVRE". Recentemente em Bonaire fiz o "Freediving Adventures" onde os meus alunos tiveram a oportunidade de aprender técnicas do mergulho em apnéia, yoga para mergulhadores e, além disto, passear nos locais mais belos da ilha, como o naufrágio Hilma Hooker, recifes de corais como Karl Hills e Jeffrey's Bay. Minha idéia é de levar este curso para as operadoras do país, sempre exaltando as belezas de cada local e explorando-as em apnéia.

Gosto de ensinar, há 13 anos dou cursos e já recebi o título, também, de melhor instrutora pelo Icare Trophie.

Fico muito feliz em poder ver meus alunos descendo com habilidade, tranquilidade e segurança!


Vídeo sobre o curso de Mergulho Livre em Bonaire

40milkm:
E você pratica ou pretende ainda praticar outros esportes extremos diferentes do mergulho? Já passou por superações em outros esportes?

Karol:
Já, eu adoro, rafting, canyoning, rappel, bungee jump, mas sempre com profissionais competentes ao lado, com toda a segurança possível.

40milkm:
E, por fim, quais são os seus próximos objetivos a serem alcançados no mergulho livre?

Karol:
Alguns recordes mundiais estão em foco, tanto em profundidade quanto em piscina... segredo!

Acompanhe notícias atualizadas sobre a atleta Karol Meyer em seu website.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Entrevista com Fátima del Angel, primeira latinoamericana no Pólo Norte

Interview with Fatima del Angel, the first Latin American to reach the North Pole. (Translate this article).



A alpinista mexicana Fátima del Ángel, nascida em Córdoba, Veracruz,  fez parte de uma expedição internacional, com dez membros no total, liderada por Victor Boyarski, explorador polar russo, que a levou ao título de primeira mulher latinoamericana a alcançar o Pólo Norte geográfico . A expedição partiu da estação polar russa Barneo (89 º 31,5 'N 30 ° 27' W), localizada a aproximadamente 100 quilômetros do Pólo (60 milhas) e alcançou sua meta em 8 de abril deste ano, as 14:45. A estação foi criada em 1993 e todos os anos, várias expedições partem do local para se deslocar pelo chamado "último grau para o Pólo Norte".



Em entrevista exclusiva (em espanhol) cedida neste mês ao site Montañismo y Exploración, Fátima comenta sobre os vários desafios enfrentados no caminho e sobre a responsabilidade em ser a primeira latinoamericana a alcançar o pólo. Em uma árdua rotina de 8 horas de caminhada com esqui, que incluiu acordar todos os dias a 7hs, preparar comida e derreter gelo para obter água, Fátima relata as dificuldades e perigos de se deslocar pelo ártico, enfrentando gretas formadas pela movimentação da crosta, canais de água que levam ao mar, frio de 40 graus centígrados negativos e outras situações que, se não forem enfrentadas com muita antenção e determinação, podem facilmente levar a morte.



"Ver tudo isto te faz refletir: no que estava pensando quando decidi vir ao Pólo Norte? Mas quando pensas que se conseguir vencer isto, serás capaz de realizar qualquer coisa, o ânimo aumenta e você continua em frente", comenta Fátima.

Entre os planos de Fátima para seus próximos desafios está prioritariamente alcançar o Pólo Sul. "Sempre acreditei que os limítes estão na mente e que tudo é possível", diz Fátima.

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